Mostre-me o que compartilhas e te direi quem és

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Gosto de fazer analogias sobre hábitos, comportamentos e movimentos em massa em diferentes épocas, na base do AMS/DMS – Antes das Mídias Sociais e Depois das Mídias Sociais, analisando os desdobramentos de situações que antes passariam quase no anonimato e agora se transformam em grandes acontecimentos.

O fato é que a velha frase “minha vida é um livro aberto” que antes um indivíduo usava para dizer que não tinha segredos, ganha dimensões bem diferentes se transformada em “minha vida é um facebook aberto”, por exemplo.

E não precisa de muito. Ainda que a gente não escreva uma linha opinativa a respeito de algo, o simples curtir e compartilhar pode dizer muito mais a nosso respeito do que podemos imaginar. Músicas, fotos, notícias, piadas… revelam gostos, simpatias, personalidade e, algumas vezes, até caráter, que tem sido tomado como base de opiniões e decisões em diversos aspectos, incluindo profissionais, como a contratação de funcionários por algumas empresas.

E pergunto: Você já parou para pensar no que está projetando e na responsabilidade que possui ao entrar nas diversas ondas que surgem todos os dias na web? Até que ponto procura se inteirar sobre denúncias antes de compartilhá-las? Até que ponto conhece àquela ação política super polêmica que “todos” julgam como boa ou ruim? O quanto julga inocente aquela piada sobre acidentes, tragédias ou gafes cometidas por personalidades ou mesmo pessoas comuns que se transformam em memes?  Até que ponto a sua opinião é realmente a sua opinião?

Pois é, você é apenas mais um, por certo, em meio a milhões de pessoas que pode transformar uma mentira em verdade, destruir uma carreira, separar uma família. Sim, você tem o poder e a responsabilidade sobre o todo.

Acho que todos precisamos de um exercício analítico sobre o nosso comportamento nas redes sociais e que pode ser resumido em alguns pontos básicos:

– Não tome para si a “certeza” de um coletivo antes de estudar a respeito;

– Não compartilhe algo importante e decisivo para a vida de outros, apenas porque uma personalidade ou aquele seu amigo muito inteligente o fez;

– Analise a amplitude da palavra sarcasmo e bullying nos mais simples posts;

– Pense sobre quanto os dois lados de uma verdade podem ser convincentes sob diferentes aspectos e formas de persuasão;

– Pense.

Para concluir, cito uma frase que ouvi certa vez, muito antes do advento das redes sociais, que julgo agora ter um poder e uma razão ainda maior: “Antes de dizer algo sobre alguém, pense se este algo irá acrescentar algum fato positivo à vida desta pessoa. Caso contrário, melhor ficar calado”.

13 comentários em “Mostre-me o que compartilhas e te direi quem és

  1. Realmente, mas infeliz as pessoas e empresas que pesquisam sobre qualquer um na internet… Falamos e postamos o que queremos e não queremos, o ser humano é o único animal que sabe camuflar em todas as situações a seu favor… Então, qual o ponto de verdade de um se humano que tem o livre arbítrio? pode mudar de opinião quando quiser e lhe convir!!!

    1. Com certeza é preciso separar o joio do trigo, Ana. Acredito sim no filtro da internet como uma boa base, mas não uma verdade absoluta. E aí, novamente, entra a necessidade de se inteirar sobre o que se lê para formar opiniões e tomar decisões a respeito das pessoas. Todos possuem o livre arbítrio para postar o que quiser e se responsabilizar por isso. bj

    2. Olá, as redes sociais são fenômenos que fazem as pessoas interagirem, mas de forma virtual dando a sensação para cada um de nós de preenchimento da vida. Nos sentimos importantes porque fazemos comentários, nos expomos na maior parte das vezes felizes, julgamos como se realmente estivéssemos falando com um amigo íntimo na sala de estar. Na verdade, como não há muitos espaços públicos de divertimentos, encontros na casa de amigos para debates de qualquer natureza, pois “não temos tempos” somos levados a uma angústia de esvaziamento que preenchemos muitas vezes de forma inadequada respondendo e “ocupando tempo” com as redes sociais. Assim nasce o rolezinho, uma necessidade de se encontrar, de partilhar experiências entre pessoas reais. O que podemos perceber é que seres humanos (animais) necessitam de encontro humano, ou seja, de abraço, atenção, carinho e muitas vezes uma bela “chamada de atenção” de um amigo quando estamos tomando uma decisão errada. Sendo assim, as redes sociais são boas, mas podem dar a falsa ilusão de que estamos vivendo o mundo real, só que apenas estamos preenchidos pelo mundo virtual.

  2. Por ter uma formação em Relações Públicas,julgo ser de total relevância tua abordagem…Sinto-me em paz por ter cautela e mesmo assim tive momentos de total falta de compreensão de pessoas que me conhecem bem…trazendo a dúvida á minha pauta íntima…somos(eu),uma
    geração que deve estar bem na fotoe
    que deve se adaptar as novidades para parecer feliz…eu não tenho esta postura…me exponho…sou criticada…não me ligo em marcas,embora trabalhe com moda…
    Faço também a página do Amadeus Lounge…
    Gosto do face
    E não me escondo
    Acho que é uma cidade do interior
    Onde as janelas abertas especulam a vida dos outros que tem coragem de viver…uns conhecem os outros …
    Em suma, é preciso muito cuidado hoje em dia…com a vírgula…com a interpretação e com as fotos…
    Mas comprovar protestos ou denúncias é condição única para curtir algo…é melhor deixar passar se não for um assunto dominado…
    É uma democracia
    Que exercita a ditadura quando tem como atitude simplesmente não concordar…Porque? Ah…por nada para polemizar…cuidado tem pessoas morando em cada perfil..atinge-se um nucleo todo,com uma simples palavra infeliz…ESPERO TER TE AJUDADO ERIKA…NEM PENSEI MUITO…E NEM RELI…BEIJÃO
    CEZANE

    1. É isso aí Cezane. Não precisamos nos esconder, deixar de ser quem somos, pelo contrário. Apenas precisamos analisar este universo online que é tão grande e poderoso para mover a “noticia” para onde quiser (ou não). Assumir nossas responsabilidades sobre o que decidimos postar é que é a questão. Obrigada por interagir. Volte sempre. bjs

  3. Concordo plenamente e muitas vezes fico me contorcendo pra não responder postagens preconceituosas, protestos equivocados ou de meias verdades, piadas racistas, fotos de puro exibicionismo ou de pessoas mortas em acidentes, enfim, conteúdo impróprio ou de mau gosto. Mas, ao invés de comentar, procuro avaliar se vale a pena ter esses “amigos” ou excluí-los e ficar com o que considero interessante, de bom senso, esclarecedor, divertido e inteligente.
    Parabéns pela matéria, esse tema rende muita conversa!
    Bjsss

  4. Muito bom, parabéns, esse texto reflete bem o cenário que vivemos há alguns anos e que além de conhecermos o outro por suas curtidas e compartilhamentos, também é necessário cautela e controle das emoções para não cometer a injustiça e o mal ao próximo. Muito bom, beijos.

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