Arquivo mensal: abril 2014

Envelhecer é evoluir

foto amadurecimento

Os anos passam, avançam e com eles envelhecemos, certo? Mas o que é envelhecer para você? Se formos seguir a tradução dos dicionários, os significados não trarão palavras muito amigáveis, centradas basicamente no sentido do ultrapassado, obsoleto, desusado. Talvez seja por isso que para a grande maioria das pessoas o envelhecer pareça tão penoso.

Com quatro décadas de vida, acredito que já possa falar um pouquinho sobre este processo, que prefiro nomear como amadurecer e sua tradução muito mais agradável, baseada em apurar, tornar-se experiente, comedido.

Se pararmos para analisar, as traduções das duas palavras de fato diferenciam as pessoas e a forma como conduzem suas vidas, geralmente tornando aquelas que mais temem o envelhecer, mais pesarosas e suscetíveis aos seus infortúnios, se comparadas com aquelas que optam por “madurar”.

Sim, eu sei que com o passar do tempo perdemos o viço, o vigor físico, ficamos mais lentos e suscetíveis às doenças, mas seria totalmente injusto resumir o envelhecer apenas às perdas, quando na verdade ele nos trás um universo de qualidades inimagináveis e incompreensíveis quando jovens, como mais seletividade e maior capacidade de discernimento sobre o quanto devemos investir de nossa energia, mais escassa e muito mais preciosa, no que é realmente bom, em quem é realmente bom.

Garanto que a despeito das perdas físicas sobre visão, audição, olfato, tato e paladar, com o tempo nossos sentidos aguçam, tornando-se muito mais apurados sobre gostos, prazeres, sabores e valores.

Dizer que gosto e me orgulho de minhas rugas que, aliás, em meu rosto deram os primeiros sinais ainda na juventude, seria hipocrisia. Não, não gosto delas, mas o tempo me ensinou que elas não são importantes diante do legado que construí por trás da minha face. E o que sinto a respeito delas hoje é, na verdade, uma prova importante do quanto eu amadureci por dentro.

A morte como brinde à vida

mao arvore

Em todos os campos de nossa vida, atuamos em função da motivação. Trabalhamos mais e melhor sempre que recebemos uma injeção de ânimo, seja um aumento de salário, um novo curso profissionalizante, um novo livro de gestão de carreiras, um reconhecimento do patrão.

No amor, e especialmente com o passar do tempo de um relacionamento, também precisamos de novos elogios, novos olhares, resgates de carinho, que nos impulsionam para novos momentos de paixão. É o que chamamos de combustível da vida a dois.

Mas, paradoxalmente, nada nos impulsiona mais a viver do que a presença da morte, seja ela anunciada pelo prenuncio de uma doença conosco ou de um ente querido, ou mesmo inesperada, por uma fatalidade com alguém próximo, um conhecido.

A morte repentina de José Wilker no ultimo sábado retrata bem este sentimento. Em algumas conversas pessoais e nas redes sociais, em meio às manifestações de pesar pela partida abrupta do ator, várias pessoas trouxeram à tona a necessidade de se aproveitar mais a vida, da importância de valorizar o que é preciso, de focar na felicidade enquanto há tempo, porque o amanhã… ah, o amanhã… quem sabe?

É fato, a nossa existência é breve, efêmera, frágil. Mas será que somente nos deparando com a morte podemos valorizar a vida? Será apenas esta a mola propulsora, por sinal bem dolorosa, capaz de nos despertar? E quantas mortes seriam necessárias para nos manter em constante motivação?

Acredito que esta questão poderia ser resolvida com uma “pílula diária de reflexão”, ingerida todos os dias, pela manhã, ao abrir dos olhos, ainda em jejum. Cada qual deveria ingerir pelo menos 15 minutos antes de iniciar suas atividades. Tempo este suficiente para agradecer o acordar, para olhar no horizonte e com ele vislumbrar todos os acontecimentos e pessoas possíveis e que valem a pena investir naquele dia. Utópico? Não, totalmente viável como em toda mudança de hábito que buscamos para ter melhor qualidade de vida, em que se faz necessário, simplesmente, se dedicar. Neste caso, para literalmente… viver.