Envelhecer é evoluir

foto amadurecimento

Os anos passam, avançam e com eles envelhecemos, certo? Mas o que é envelhecer para você? Se formos seguir a tradução dos dicionários, os significados não trarão palavras muito amigáveis, centradas basicamente no sentido do ultrapassado, obsoleto, desusado. Talvez seja por isso que para a grande maioria das pessoas o envelhecer pareça tão penoso.

Com quatro décadas de vida, acredito que já possa falar um pouquinho sobre este processo, que prefiro nomear como amadurecer e sua tradução muito mais agradável, baseada em apurar, tornar-se experiente, comedido.

Se pararmos para analisar, as traduções das duas palavras de fato diferenciam as pessoas e a forma como conduzem suas vidas, geralmente tornando aquelas que mais temem o envelhecer, mais pesarosas e suscetíveis aos seus infortúnios, se comparadas com aquelas que optam por “madurar”.

Sim, eu sei que com o passar do tempo perdemos o viço, o vigor físico, ficamos mais lentos e suscetíveis às doenças, mas seria totalmente injusto resumir o envelhecer apenas às perdas, quando na verdade ele nos trás um universo de qualidades inimagináveis e incompreensíveis quando jovens, como mais seletividade e maior capacidade de discernimento sobre o quanto devemos investir de nossa energia, mais escassa e muito mais preciosa, no que é realmente bom, em quem é realmente bom.

Garanto que a despeito das perdas físicas sobre visão, audição, olfato, tato e paladar, com o tempo nossos sentidos aguçam, tornando-se muito mais apurados sobre gostos, prazeres, sabores e valores.

Dizer que gosto e me orgulho de minhas rugas que, aliás, em meu rosto deram os primeiros sinais ainda na juventude, seria hipocrisia. Não, não gosto delas, mas o tempo me ensinou que elas não são importantes diante do legado que construí por trás da minha face. E o que sinto a respeito delas hoje é, na verdade, uma prova importante do quanto eu amadureci por dentro.

18 comentários em “Envelhecer é evoluir

  1. Olá Erika, pertinente ao momento atual esta reflexão. Infelizmente o que vemos hoje no mercado de trabalho, por exemplo, é que pessoas com 35 ou 40 anos de idade são consideradas “velhas”…uma incoerência, já que estudos importantes indicam que em 2025 teremos mais de 30 milhões de “idosos” no Brasil(*). Em resumo, este estudo constata que a população brasileira está envelhecendo rapidamente. As empresas e seus RHs estão preterindo pessoas experientes aos 35 ou 40 anos, quem dirá pessoas na faixa dos 50, como eu. Me aposentei aos 48 anos e me sinto no auge de minha capacidade, experiência e vigor físico, e a tentativa de voltar ao mercado de trabalho tem sido um exercício de paciência e persistência incalculável. Isso é um contrasenso. A maturidade e a sabedoria que alcançamos deveria ser valorizada em nossa sociedade, urgentemente. Isto não é um lamento de minha parte, mas uma triste constatação.
    Espero que a sociedade (e as empresas) atentem para esta realidade o mais cedo possível.

    (*) O processo de envelhecimento no Brasil: desafios e perspectivas

    http://revista.unati.uerj.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-59282005000100004&lng=pt&nrm=iso

    1. Muito pertinente a sua colocação, Marisa. Não enveredei para o lado profissional, no qual a experiência tem tanto a contribuir. Acredito em um processo evolutivo a este respeito, até pelos dados estatísticos que vc muito bem colocou. Bjs e continue dando sua importante opinião.
      .

  2. Viver é uma dádiva, só não envelhece quem morre cedo. Aproveitar cada idade respeitando seus limites mas não colocando-os como barreiras, é a sabedoria que a vida nos trouxe.

  3. O envelhecimento faz parte da vida, como a morte também, numa sociedade em que se nega envelhecer e cada vez mais se nega a morte, vamos tendo uma falta de presença em si mesmo, pois tudo é exterior: cirurgias, estética, corpo e luta-se contra o tempo para permanecer o tempo todo jovem, esquecendo de alimentar o interior. Para mim o envelhecer é a riqueza de me tornar mais humana, estabelecer vínculos afetivos entre pessoas que nos enriquecem internamente e externamente independente da minha roupagem. bj

  4. O texto é muito bom. O envelhecimento ou amadurecimento cotidiano e a nossa relação com o tempo. Tempo que é relativo. Tanto quanto “envelhecer”. Evoluir independe do tempo cronológico. A parte do corpo que não envelhece? Os olhos, espelho da alma, lapidada a todo tempo – cronológico e não cronológico.

    Nos debatemos muito com o envelhecer, sem prestar atenção em como envelhecer. Viver 100, 200 anos já não é um sonho, uma ilusão ou fruto da imaginação fértil de cineasta futurista. Esse tempo, talvez seja inexorável para as novas e futuras gerações. A questão é: como e pra quê viver (e envelhecer) 100 ou 200 anos? Para perpetuar os erros cometidos há séculos?

    Envelhecer por envelhecer, todo vamos – no tempo que cada um tiver. Bacana mesmo é aprender a envelhecer com sabedoria. Ai são outros 500… anos.

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