Política e emoção, uma má combinação

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Na semana do trágico acidente que vitimou o candidato à presidência da República, Eduardo Campos, e antes mesmo de seu funeral, diversos cenários políticos já começaram a ser vislumbrados e engendrados. Para quem é do meio e vive da política, nada mais natural, já que as eleições estão próximas e decisões precisam ser tomadas num curto tempo.

Mas o que tem chamado a atenção não é o rumo que a eleição pode tomar pelos candidatos que permanecem no jogo, mas pelo que se foi. A morte de Campos conferiu um poder ao seu partido, a sua rede e a sua candidata a vice, que talvez não se sucedesse da mesma forma, se ele estivesse vivo.

O fato é que a morte de Eduardo Campos revelou, tardiamente, ao Brasil que ainda não o conhecia, as suas qualidades como político e ser humano, as quais não preciso repetir aqui, porque foram exaustivamente descritas pela imprensa.

Qualidades estas que somadas a comoção que qualquer morte brutal, de um bom pai de família, parece estar conduzindo novos votos para um caminho que muitos não haviam pensado antes. E creio ser este caminho um tanto perigoso. Não pela opção política que está sendo desenhada, mas pelo viés de sua condução, que deve ser feita com base na razão, na coerência, na pesquisa profunda pela nova opção, e não apenas pela emoção.

Fazendo um exercício sobre um outro cenário, em que o acidente tivesse tirado a vida de um dos outros dois principais candidatos, Aécio ou Dilma, que são atualmente amplamente acusados por N questões, e que também não preciso aqui descrever, suponho quais seriam as emotivas e positivas descrições pós morte:

Aécio Neves – Jovem, empreendedor, líder nato, neto do ilibado ex-presidente Tancredo Neves, com quem adquiriu suas primeiras experiências políticas. De uma trajetória política invejável, com sucessivas vitórias, desde o seu primeiro mandato como deputado federal em 1987, depois como presidente da Câmara dos Deputados e governador – o qual foi eleito duas vezes.

Com bons índices de aprovação no primeiro mandato de governador, garantiu a reeleição com o maior numero de votos da historia de Minas Gerais. Foi eleito senador em 2011, também com a maior votação do estado. Sua trajetória o levou naturalmente à presidência nacional do PSDB em 2013.

Dilma Rousseff – Líder, revolucionária, pioneira. Interessou-se pelos ideais socialistas após o Golpe Militar de 1964. Integrou organizações que defendiam a luta armada e acabou presa pela ditadura militar brasileira, onde foi duramente torturada.

Participou da fundação do PDT, exerceu o cargo de secretária municipal da Fazenda de Porto Alegre, foi presidente da Fundação de Economia e Estatística e secretária estadual de Minas e Energia.

Se filiou ao PT em 2011 e foi convidada pelo então presidente Lula para ocupar o Ministério de Minas e Energia, sendo posteriormente nomeada ministra-chefe da Casa Civil. Depois de se destacar como a primeira mulher a chefiar importantes instâncias governamentais, foi eleita em 2010 presidente da República, novamente a primeira mulher a ocupar esta posição no Brasil.

Belas histórias, não? Que somadas a um bom e exaustivo enredo midiático também poderiam, apenas por estes breves currículos, conduzir milhares e milhares de opiniões, ou falta delas, para novos rumos de decisão.

Assim, diante do terrível acidente que vitimou Eduardo Campos, a mensagem que poderia permanecer e ser mais um grande legado do político pernambucano, é que devemos pesquisar e estudar mais sobre os candidatos aos governos do nosso País, e não apenas os presidenciáveis, não apenas os de maior destaque. Que os que partem não precisem ser transformados em mártires para serem descobertos ou valorizados, da mesma forma que os que ficam não sejam facilmente direcionados por campanhas ardilosas que constroem e destroem perfis facilmente.

Lembrarmos que, considerando as suas devidas proporções, assim como gerir uma grande empresa, para comandar uma nação, um país, é preciso mais que empatia, é preciso ética, correção, competência administrativa, competência de gestão e não apenas de uma pessoa, de um político, mas de todo um grupo, de toda uma rede ou partido político.

Que a emoção que conduziu tanta gente a ler e querer saber mais sobre Eduardo Campos, conduza agora a saber mais sobre quem ficou, na sua rede política e em todas as outras. E que tomem suas decisões pela razão.

2 comentários em “Política e emoção, uma má combinação

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