Arquivo mensal: setembro 2014

Para o melhor futuro, apenas o melhor da base

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Embora a motivação para escrever este texto tenha surgido dos meus filhos, foi no que vivi com meus pais que ele criou corpo. Sim, porque foi na ânsia de buscar respostas sobre o que devo ser e do que devo dar aos meus pequenos para que eles sejam crianças felizes e se tornem adultos independentes e saudáveis sob todos os pontos de vista, que encontrei muitas das respostas no que recebi dos meus pais. Afinal, foi graças a eles que o muito do pouco que tenho hoje foi possível e que um pouco mais posso dar aos meus filhos, ainda que seja muito menos do que eu gostaria de dar.

Convivendo com inúmeros exemplos de pessoas ao meu redor com muito mais posses e melhores condições de investir em atividades para o melhor desenvolvimento de seus filhos, por mais de uma vez me peguei questionando se não deveria me sacrificar mais, trabalhar mais, para ter mais e dar a eles muito mais: mais cursos, mais esportes, mais… E nesse questionamento quase sempre me volto ao passado de origem humilde dos meus pais, da minha escola pública, do dinheiro contado, da mesa magra, dos presentes magros, das roupas simples e o quanto a falta de melhor estrutura financeira interferiu na minha formação: nada.

Ah sim, se as condições fossem outras eu poderia ter estudado em melhores escolas, aprendido ainda cedo outras línguas, tido outras oportunidades de trabalho, #soquenão seria realizada se eles tivessem me privado dos melhores recursos para o meu desenvolvimento no momento mais essencial para a minha formação e que se constituíam “apenas” em amor, segurança, harmonia, respeito, atenção e, essencialmente, presença, boa presença.

Voltando para os questionamentos sobre os anseios e necessidades dos meus filhos e de todas as crianças do mundo, chego na conclusão de que o melhor investimento que podemos oferecer para elas e que é o principal responsável pelos rumos que elas podem dar aos seus próprios caminhos, é a melhor base moral e emocional.  Base esta que não se delega às babas, aos professores, não se transfere ao ensino de outras línguas ou à prática de qualquer esporte. Mais do que pedir brinquedos e passeios, nossos filhos claramente nos pedem amor. E revelam-se mais felizes pelo intangível do que pelo palpável, a não ser que este palpável seja um abraço, um beijo, um carinho pessoal, e não algo apenas material – que assim como a droga, logo tem seu efeito esvaziado.

Assim, antes de visualizarmos o sucesso de nossas crianças com base apenas no que podem vir a ter em forma de profissões bem sucedidas e bens acumulados na vida adulta, devemos pensa-las como adultos verdadeiramente plenos.

Este é o melhor legado, a melhor herança a dar para elas e que lhes darão a melhor base para o sucesso na “carreira” que mais importa, a carreira da vida.

Tolerância zero, evolução idem

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Antes de começar a escrever este texto me fiz uma pergunta que repasso adiante: Você se considera uma pessoa tolerante? Bom, antes de responder, vamos às definições sobre a palavra. Tolerância (do latim tolerare – suportar, sustentar) indica a capacidade de aceitar o contrário, o diferente e dentro desta definição entra não apenas raça, religião, política ou preferências sexuais, que são questões mais frequentemente debatidas. Aliás, o debate deveria ser o melhor termo para o estabelecimento da tolerância.

Embora seja óbvio dizer que a intolerância tenha tradução oposta, nunca é demais pontuar que ela se caracteriza pela inabilidade não apenas de reconhecer as diferenças, mas essencialmente de respeitá-las, sendo frequentemente representada pela hostilidade, com base em uma emoção negativa. Isso significa que mais do que discordar, a intolerância se baseia no atacar.

Vemos e vivemos a intolerância diariamente, em diversas situações cotidianas, mas é diante dos acontecimentos midiáticos e das redes sociais que enxergamos mais claramente a sua dimensão na humanidade: guerras, homofobia, preconceitos diversos, bullying de todos os tipos… com o feio, com o pobre, com o gordo, e com o oposto também, com o belo, com o magro, com o rico.

Uma pena, com certeza, já que ao praticarmos a intolerância com o próximo perde ele e perdemos nós. E então quando ela se incorpora num coletivo, compromete também a evolução e o desenvolvimento de toda a sociedade, da humanidade.

A questão em torno da tolerância é tão importante, embora pouco valorizada pelos indivíduos, que a ONU (Organização das Nações Unidas) até instituiu o Dia Internacional da Tolerância, celebrado em 16 de Novembro, visando combater a não aceitação da diversidade cultural.

O problema é que muitos entendem que tolerar é abrir mão de suas convicções, quando não o é. E aqui nem vamos entrar no mérito de certo ou errado, porque nem sempre é o bem e o mal, o certo e o errado que estão em jogo, mas apenas visões opostas. E mesmo em situações socialmente estabelecidas como incorretas, o que faz de nós melhor do que o “bandido” é a forma como o punimos. Maria Madalena apedrejada por “puros” que o diga.

Enfim, se quisermos viver em harmonia com nós mesmos, precisamos entender que precisamos estar em harmonia com o todo, praticando a habilidade do diálogo e da compreensão de que a vivência, as oportunidades e os conhecimentos do outro podem não ser os mesmos que os nossos, interferindo de forma importante sobre as diferentes visões.

Afinal, é preciso sol e chuva para ser formar a diversidade de cores de um arco-íris, embora enxerguemos apenas sete; é preciso uma diversidade de flores para construir um belo jardim; uma variedade de frutas para um rico pomar. E o que seria de cada cor, cada flor, cada fruta, se apenas uma fosse a escolhida, a preferida?

De minha parte, respondendo a pergunta do inicio do texto, posso dizer que evoluo a cada dia e posso me considerar uma pessoa tolerante, embora a política insista em me testar ;-).

Ah! Antes de encerrar, se ainda não se convenceu a respeito do poder destruidor da intolerância, acredito que este curta feito na Bósnia possa te ajudar: