Arquivo mensal: agosto 2015

Aos pais, toda forma de amor

Fathers-Day

Pai, palavra com tantos significados de uma figura muitas vezes, injustamente, renegada em detrimento do símbolo da mãe. Historicamente, a composição socioeconômica designou  ao pai o papel principal de provedor, da mesma forma que designou à mãe o papel de cuidadora. Uma composição, que também pela natureza dos sexos (gêneros), deixou a mulher em vantagem no relacionamento afetivo com seus filhos.

Assim, a figura do pai, geralmente distante pela falta de tempo, geralmente austera pela missão de ordem, e usualmente pouco acessível fisicamente por convenções culturais, acabou por deturpar a dimensão do seu amor na relação familiar. Mas, como tudo na vida evolui, grandes transformações ao longo dos últimos anos conduziram a mulher a desenvolver-se também como provedora da família e a requerer a participação do homem nas atividades da casa e dos filhos. Embora muito se fale dos ganhos de independência das mulheres é preciso considerar também os ganhos dos homens e, especialmente pais, das novas gerações ao também se libertarem de convenções e amarras, assim como dos filhos que foram presenteados com novas e saudáveis versões de afeto.

O fato é que mesmo olhando para as composições familiares antigas, precisamos compreender o significado de amor e de afeto sobre diferentes formas e manifestações. E acredito que não por acaso, nesta semana em que comemoramos o Dia dos Pais, revivi com uma tia a história de cuidados de meu avô materno com suas três filhas. Apesar de conservador e de procurar manter distância física, ele sempre foi muito participativo em vários cuidados pessoais com elas, assumindo não apenas funções da casa em virtude de minha avó doente, mas também de educação e até de introdução à música (no caso específico de minha mãe). Provas de amor não apenas em gestos, mas em ações muito mais amplas em um período ainda de muito conservadorismo e machismo.

Avançando um pouco mais no tempo, pego como exemplo o meu pai, com limitações de palavras de afeto, de gestos físicos de carinho, e poucas oportunidades de brincadeiras, mas que de diversas outras formas me mostrou a grandeza de seu amor, na intensa dedicação ao trabalho para o sustento do melhor que ele podia nos oferecer e na preocupação constante com nossa integridade física e moral.

Hoje, analisando o relacionamento do meu marido com meus filhos, vejo um novo perfil de pai, muito mais próximo, participativo e caloroso fisicamente, sem, no entanto, perder suas características de disciplina, proteção e firmeza. Elementos que no conjunto são muito importantes para o equilíbrio do desenvolvimento dos nossos pequenos.

É certo que esta nova geração de nossa casa reflete uma grande evolução, entre abraços e declarações diárias e repetidas de “eu te amo”, olhares de admiração mútua e muitos ensinamentos… entre as lições da escola e as lições da vida. Feliz Dia dos Pais!