Solidão não se cura com o outro

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Ouvir com certa frequência sobre as queixas de algumas pessoas em relação à solidão e o seu sentimento de pesar me levou a analisar um pouco do perfil dessas pessoas e o que poderia ter causado o seu isolamento. A resposta? Elas mesmas, ainda que elas não enxerguem ou não admitam isso. E não estou falando de idosos incapacitados física ou mentalmente, esquecidos em asilos.

Embora a solidão costume ser resumida pela falta de companhia, amigos, amores, família… de fato, ela é mais que isso, até porque todos sabem que podemos nos sentir muito só mesmo em meio a uma multidão. Solidão, então, é um sentimento de vazio, de falta de motivação, falta de interesse não apenas por alguém, mas especialmente por algo. E este sentimento muito frequentemente leva ao isolamento físico.

Com isso, é importante que pensemos de que nada adianta o solitário se queixar do afastamento de entes queridos, da falta de visitas ou convites para reuniões sociais, como se a culpa fosse apenas dos outros e como se a simples presença deles fosse resolver a sua própria ausência interior. Antes, é preciso que o solitário resgate o que se perdeu no caminho de sua estrada, onde acabou o gosto e a motivação pelo novo, pelo simples, pelo cotidiano, por um novo e diferente dia, por novas oportunidades, por novos saberes, por novos sabores.

Sim, à medida que amadurecemos temos diversas perdas em nossas vidas: separações, luto, misérias, mas a vida sempre se renova em múltiplas escolhas, pessoas, horizontes, geração após geração, desde que estejamos com o coração e mente abertos para experienciar. Não estou dizendo que é fácil, que é possível curar feridas sem deixar cicatrizes ou preencher vazios exatamente com os mesmos tesouros, mas que é possível caminhar bem melhor enxergando novas preciosidades, criando novos valores, que certamente nos colocam na pista novamente. E que na pista poderão surgir novas companhias para se dividir interesses mútuos e afinidades, ou não, mas que nos bastaremos conosco e nossas vontades e desejos mais profundos.

Se você se encontra nessa, apenas desejo que verdadeiramente reflita e se permita ter interesse e prazer novamente, e pode começar exercitando com um novo livro, um novo filme, um novo curso, um novo prato, um novo hobby, porque no mais, a socialização, que de fato é tão importante, será mera consequência da realização da pessoa mais importante nesta história: você.

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